Transtorno de Espectro Autista e Espiritismo

O autismo ou transtorno do espectro autista (TEA) foi identificado  a década 40 pelos médicos Leo Kanner e Hans Asperger. Obviamente é um estado que sempre existiu em todas as épocas e culturas (MARTELLI et al, 2000).

É uma síndrome definida por alterações presentes desde idades precoces,  tipicamente antes dos três anos de idade, e caracteriza-se sempre por desvios qualitativos na comunicação, na interação social e no uso da  imaginação (MELLO, 2007). Embora definido por estes principais sintomas, o fenótipo dos pacientes com TEA pode variar muito, abrangendo desde indivíduos com deficiência intelectual (DI) grave e baixo desempenho em habilidades comportamentais adaptativas, até indivíduos com quociente de inteligência (QI) normal, que levam uma vida independente ( OLIVEIRA E
SERTIÉ, 2017).




A diversidade dos sintomas dificulta o fechamento do diagnóstico pelo profissional. Quanto a suas causas, existe uma série ampla e diversificada de hipóteses. Alguns autores sugerem que a rejeição ou outros traumas emocionais nos primeiros meses de vida seriam a causa desse distúrbio.

Outros atribuem a origem dessa síndrome a perturbações profundas na relação da criança com o meio. Acredita-se, também, que o autismo acontece em crianças organicamente predispostas, nas quais um trauma emocional precipitou a desordem (MARTELLI et al, 2000).

De acordo com Mello, Andrade, Che Ho e Souza Dias(2013), os transtornos do espectro do autismo (TEA) são diagnosticados em número cada vez maior e também cada vez mais cedo no Brasil.

Pessoas antes nunca diagnosticadas, diagnosticadas em idade escolar ou já adultas, agora podem ter suas características autísticas detectadas antes dos 18 meses de idade.

Segundo a Associação de Amigos do Autista (AMA), estima-se que 1 em cada 160 crianças tenha um transtorno do espectro autista. Essa estimativa representa um valor médio, uma vez que a prevalência observada varia consideravelmente entre os diferentes estudos. No entanto, em alguns estudos bem controlados, números significativamente maiores foram registrados. A prevalência de TEA em muitos países de baixa e média renda
ainda é desconhecida.

Atualmente o Autismo não tem cura. Existem alguns tratamentos que visam melhorar o comportamento e a educação da criança autista, facilitando a sua adaptação em nosso mundo. Eles devem ser iniciados precocemente, de preferência antes dos 4 anos de idade (SANTINI, 2014).

O impacto que o autismo causa sobre as famílias é muito grande dos pontos de vista emocional, social e econômico. Poucas são as famílias que têm condições econômicas de arcar com o custo do tratamento adequado e, para atender as necessidades geradas pelo autismo todas elas dependerão, em algum momento, de algum tipo de apoio institucional ( MELLO, ANDRADE, CHE HO E SOUZA DIAS, 2013).

 

TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA VISÃO ESPÍRITA

 



A doutrina espírita nos ensina que somos coondutores do nosso próprio destino, que o acaso não existe. Quando nascemos com alguma deformidade, na verdade a mesma já existia antes em espírito, porque em determinada vivência física a criamos dentro de nós. Assim sendo, o espírito é responsável por tudo que pensa e faz, subordinado à Lei de Causa e Efeito (PATERRA, 2014).

Ninguém nasce autista por acaso. A Justiça Divina é misericordiosa por excelência, assegurando a cada um os beneficios da retificação espiritual.

Algumas teses espiritualistas relatam que o comportamento autista é decorrente do fato de o espírito não ter aceitado sua reencarnação, ou seja, ele rejeita e não quer renascer. Já segundo Bezerra de Menezes, é um regaste de espíritos que em outras encarnações tiveram poder de decisão, liderança, etc e não utilizaram este “dom” para ajudar o próximo, mas sim para tirar proveito de situações ( CHAGAS, 2017).

 

“[…] Espíritos há que buscaram, na alienação mental através do autismo, fugir às suas vítimas e apagar as lembranças que os acicatam, produzindo um mundo interior agitado ante uma exteriorização apática, quase sem vida. O modelador biológico imprime, automaticamente, nas delicadas engrenagens do cérebro e do sistema nervoso, o de que necessita para progredir: asas para a liberdade ou presídio para a reeeducação” ( FRANCO, 1988).

 

Por meio das limitações experimentadas e os sofrimentos pertinentes, o espírito endividado refaz-se e liberta-se da carga aflitiva a que se encontra jungido, tornando-se, desta forma, uma verdadeira bênção. Da mesma maneira, pode ser uma experiência iluminativa requisitado pelo próprio espírito, a fim de contribuir em favor de estudos científicos que irão  beneficiar outros, ao mesmo tempo um esforço pessoal para o maior crescimento sociopsicológico (FRANCO, 2018).

De acordo co Sousa (2018), a experiência do autista deve servir para o espírito desenvolver gradualmente a comunicação e a compreensão da convivência em sociedade. E a família que acolhe uma criança oferecer amor, paciência e compreensão, pois a sua missão é contribuir com sua evolução espiritual.

A doutrina orienta os familiares a conversar com o autista quando ele estiver dormindo, já que a conversa é capturada pelo espírito, deve-se falar devagar, com o coração aberto, dizendo: “Estamos contentes por você estar entre nós. Você tem muito que fazer na Terra. Você vai ser feliz nesta vida. Nós te amamos muito”.

O transtorno do Espectro Autista, em casos mais graves é preciso  acompanhamento psiquiátrico e remédios, doutrina a espírita diz que é preciso manter o tratamento com profissionais, mas dispõe de terapias valiosas que podem ser usadas em paralelo, como passes, água fluidificada, desobsessão, conversação paciente e edificante, música suave, conforme a sua reação ao ouvir e muita perseverança do amor para que o mesmo sinta-se aceito e confiante.

 

Autora: Ana Paula Soares Bezerra

REFERÊNCIAS

  1. CHAGAS, Juliana. Qual a Visão Espírita do Autismo?. 2017.
    https://radioboanova.com.br/qual-a-visao-espirita-do-autismo> Acesso: 11/09/2019.
  2. FRANCO, Divaldo P. O Autismo na Visão Espírita. 2018. https://mobile.mensagemespirita.com.br/divaldo-franco/ad/o-autismo-na-visao-espirita-divaldo-franco > Acesso: 11/09/2019.
  3. MARTELLI, Ana Paula Scherer. et al. Autismo: orientação para os pais / Casa do Autista – Brasília : Ministério da Saúde, 2000.
  4. MELLO, Ana Maria S. Ros de, Autismo: guia prático. 5ª ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE, 2007.
  5. MELLO, Ana Maria S. Ros de; ANDRADE, Maria América; CHEN HO, Helena;
  6. SOUZA DIAS, Inês de. Retratos do autismo no Brasil. 1ª ed. São Paulo. 2013.
  7. PATERRA, Marcos. Autismo – Uma Análise Profunda a Luz do Espiritismo.2014.http://www.redeamigoespirita.com.br/m/group/discussion?id=2920723%3ATopic%3A1467168 > Acesso: 11/09/2019
  8. SANTINI, Rubens. Uma ponte para o despertar Uma explicação espiritual para o Autismo. São Paulo. 2014.
  9. SOUZA, Ricardo Guelfi de. Autismo na Visão Espírita. 2018. https://tvmundomaior.com.br/autismo-na-visao-espirita/ > Acesso: 11/09/2019. www.ama.org.br > Acesso: 11/09/2019
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