Você sabe a diferença entre intuição e inspiração?

Você sabe a diferença entre intuição e inspiração?

 

Mário Frigéri


Muita gente confunde intuição com inspiração. Você sabe a diferença entre intuição e inspiração?

Alguns acham que são a mesma coisa, outros acham que são coisas diferentes e, em geral, por falta de tempo ou por não saber onde encontrar a resposta, deixam o tempo passar e continuam na dúvida. Pretendemos apresentar neste artigo alguns exemplos de uma e de outra dessas faculdades espirituais a fim de lançar um pouco de luz sobre a questão. Vamos valer-nos das obras de André Luiz que são muito claras e didáticas a esse respeito.
Digamos inicialmente que a diferença principal entre intuição e inspiração é a seguinte: a intuição tem sua origem dentro do indivíduo, ao passo que a inspiração tem sua origem fora dele. Dito isto, vamos primeiro falar sobre a intuição, apresentando dois casos, um em que a intuição é utilizada para o bem, e outro em que é utilizada para o mal, ambos colhidos no livro
Libertação, de André Luiz, publicado pela FEB. (Os textos citados foram condensados.)

 

INTUIÇÃO

PRIMEIRO CASO: Intuição para o bem

No capítulo XIII do livro Libertação, André Luiz descreve uma reunião espiritual ocorrida na casa de um juiz de direito que, alguns anos antes, havia sentenciado certo indivíduo à prisão. Nessa reunião, o instrutor espiritual Gúbio, falando ao juiz temporariamente liberto dos liames do corpo físico pelo fenômeno do sono, argumenta em defesa do réu, explicando minuciosamente que a sentença fora, em parte, injusta, e que era chegada a hora de o sentenciado ganhar a liberdade. O juiz, ouvindo sob grande emoção aquele arrazoado com forte poder de convencimento, acaba por concordar com a revisão da sentença, mas pergunta, intrigado, como deveria agir, visto que, ao retomar o corpo físico não iria se lembrar dos fatos relacionados naquela hora. E o instrutor Gúbio lhe dá a seguinte explicação:


Amanhã levantarás do leito sem a lembrança integral do nosso entendimento de agora, porque o cérebro humano é incapaz de suportar a carga de duas vidas, mas novas ideias te surgirão com clareza, em relação ao bem que precisas praticar. A intuição é o disco milagroso da consciência e irá te retransmitir as sugestões desta hora de luz e paz.

 

SEGUNDO CASO: Intuição para o mal

No capítulo VI do citado livro, André encontra-se alojado com o instrutor Gúbio em uma casa situada no Umbral inferior. Seu aposento tinha janelas que davam para a rua e, dali, eles podiam ver e ouvir vários tipos de Espíritos daquele plano, todos de nível inferior, conversando com parentes ou conhecidos encarnados na Crosta terrestre, parcialmente libertos da carne pelo sono. Certa mulher desencarnada censurava uma senhora ainda ligada aos liames físicos porque ela estava permitindo que seu marido se filiasse a um grupo de amigos dedicados a orações. Ela dizia à esposa que oração cria mansidão e, por isso, ela devia ferir o marido e espezinhá-lo no lar para afastá-lo desses “falsos” amigos dedicados à fé religiosa. Os desencarnados tinham planos para ele na fábrica onde trabalhava e não iriam abrir mão de sua cooperação. Era preciso mantê-lo infeliz e desesperado para que pudesse ser útil. Volte para o corpo e não ceda um milímetro, ordenava a entidade astuta, envolvendo a mente da senhora encarnada em fluidos sombrios, à maneira dos hipnotizadores da Terra.


Espantado com o que acabara de ver e ouvir, André endereça um olhar interrogativo a Gúbio, e este lhe dá a seguinte explicação:

De manhãzinha, quando essa senhora acordar na esfera física, estará de alma desconfiada e abatida, porque, por se encontrar vacilante na fé, é incapaz de apreciar a felicidade de um casamento digno e tranquilo que o Senhor lhe concedeu. Oscilando entre o crer e o não crer, e não sabendo manter a mente alicerçada na fé viva na atuação do Alto, permanecerá imantada a essa irmã ignorante e infeliz que a subjuga para conseguir deplorável vingança.

INSPIRAÇÃO 


Vamos falar agora sobre a inspiração, apresentando também dois casos, um em que a inspiração é utilizada para o bem e outro em que é utilizada para o mal, ambos colhidos no livro Nos domínios da mediunidade, igualmente de André Luiz, publicado pela FEB:

TERCEIRO CASO: Inspiração para o bem

No capítulo 13 do citado livro, André e seu amigo Hilário encontram-se sob a orientação do instrutor Áulus participando de uma sessão espírita na Crosta terrestre. Uma das médiuns daquele grupo prepara-se para receber, por inspiração, através de fluidos teledinâmicos, a mensagem de uma alta Entidade espiritual que se encontrava em uma elevada esfera. Explica Áulus que a médium assimilará a corrente mental do ser comunicante e vocalizará a mensagem para os presentes. Diz a Entidade de luz, em determinado momento, em sua inesquecível mensagem:


Não vale encarnar-se ou desencarnar-se simplesmente. Todos os dias, as formas se fazem e se desfazem. Vale a renovação interior com acréscimo de visão, a fim de seguirmos à frente, com a verdadeira noção da eternidade em que nos deslocamos no tempo. Vigiemos o pensamento, purificando-o no trabalho incessante do bem, para que arrojemos de nós o grilhão capaz de acorrentar-nos a obscuros processos de vida inferior. É da forja viva da ideia que saem as asas dos anjos e as algemas dos condenados. Como esperardes o pensamento divino, onde o pensamento humano se perde nas mais baixas cogitações da vida? Que mensageiro do Céu fará brilhar a mensagem celestial em nosso entendimento, quando o espelho de nossa alma jaz enegrecido pelos mais inferiores dos interesses? Sem dúvida, divinas mensagens descerão do Céu à Terra. Entretanto, para isso, é imperioso construir canalização adequada. Jesus espera pela formação de mensageiros humanos capazes de projetar no mundo as maravilhas do seu Reino.

 

QUARTO CASO: Inspiração para o mal

No capítulo 15 desse mesmo livro, André, Hilário e Áulus encontravam-se a caminho de um templo espírita quando passaram diante de um bar cheio de pessoas que bebiam e fumavam à vontade. Como dispunham de tempo, Áulus entrou no recinto com seus companheiros para que recolhessem algum material sobre o intercâmbio entre encarnados e desencarnados. Numa pequena mesa um pouco isolada, provida de fino conhaque, um jornalista ainda jovem fumava com volúpia e escrevia várias páginas, envolvido por uma entidade de baixa condição espiritual.


Áulus explica que o jovem repórter tem as células do cérebro imantadas pelo obsessor, que lhe transmite a ideia de produzir uma reportagem escabrosa com o objetivo de envolver num homicídio certa jovem residente num bairro próximo. O obsessor, como ferrenho perseguidor da menina, busca induzir o jornalista a exagerar a participação dela na ocorrência, a fim de deprimir sua vida moral e, com isso, amolecer-lhe o caráter, trazendo-a, se possível, ao charco vicioso em que ele jaz, infeliz.

 

 

Análise final dos casos


Dos dois primeiros casos que citamos, apenas o do juiz deve ser entendido como exemplo típico de intuição, porque ele iria ter lampejos mentais no plano físico do que lhe fora dito pelo instrutor no plano espiritual. Os outros três casos são um pouco atípicos e devem ser entendidos como ilustrações aproximadas do que pretendemos esclarecer neste estudo. O caso da esposa que devia atormentar o marido para afastá-lo do grupo de orações envolve um tipo de intuição bastante induzida, visto que ela passou por um processo de imantação mental e magnética provocado por sua obsessora. O caso da mensagem transmitida por fluidos teledinâmicos envolve uma espécie de canalização mental muito pronunciada, como se fosse quase uma ligação telefônica, dando uma densidade superlativa à inspiração. E, finalmente, o caso do jornalista que escrevia sob indução de seu mentor trevoso, envolve uma inspiração mental compulsiva de consequências semimecânicas, o que destoa um pouco da inspiração normal a que toda pessoa está sujeita.

Mesmo reconhecendo que dos casos citados três não se vestem como luvas às nomenclaturas propostas, podemos dizer que servem de exemplo para que o estudante tenha uma ideia aproximada da diferença entre intuição e inspiração. E para dissipar quaisquer dúvidas, vamos a duas passagens de O livro dos espíritos, de Allan Kardec, que elucidam de forma definitiva a questão.

 

PRIMEIRO, SOBRE A INTUIÇÃO. Quando Kardec pergunta às Entidades Superiores, na questão 415, qual a utilidade das visitas que fazemos a outros Espíritos durante o sono, se não nos lembramos delas, as Entidades dão a seguinte resposta: “Em geral, guardais a intuição dessas visitas ao despertardes. Muitas vezes essa intuição é a fonte de certas ideias que vos surgem espontaneamente, sem que possais explicá-las, e que são exatamente as que adquiristes nessas conversas”.


SEGUNDO, SOBRE A INSPIRAÇÃO. Quando Kardec pergunta às Entidades Superiores, na questão 545, se um general, no campo de batalha, pode ser guiado por meios supranormais, que lhe mostrem previamente o resultado de seus planos, as Entidades dão a seguinte resposta: “Isso se dá geralmente com o homem de gênio. É o que ele chama inspiração e que lhe permite agir com uma espécie de certeza.
Essa inspiração lhe vem dos Espíritos que o dirigem e que se aproveitam das faculdades de que ele é dotado”. Vemos assim que a intuição vem de dentro de nós e a inspiração vem de fora de nós.

Mentor espiritual: posso me tornar um? - TV Mundo Maior

(Artigo publicado em Reformador, mensário da FEB, em maio de 2021.)

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