A influência obsessiva do espírito sobre si mesmo denomina-se auto-obsessão A pessoa passa a ser opressora de si mesma, há um verdadeiro campo de batalha em seu mundo interior, provocando alterações de comportamento físico, emocional e mental (SEARA BENDITA, 2019).
Dificilmente nós seres humanos nos reconhecemos como os responsáveis pelos nossos sofrimentos. É comum culparmos o próximo, o destino ou até Deus por nossos infortúnios (SOUZA, 2016).
O auto – obsediado sente-se tratado de forma injusta pela vida, ressaltando negativamente o modo de ser das pessoas, das coisas e de si mesmo.
Ao correlacionar o aspecto espiritual ao aspecto científico, temos o pensamento como uma energia que pode atuar sobre a matéria, seja mental ou etérea. Devido à plasticidade de ambas, poderão ser moldadas de acordo com o padrão ou a característica da energia atuante (SERAFIM, 2018). Dessa forma, de acordo com a intensidade e a densidade dos nossos pensamentos, poderemos moldar essas matérias a ponto de tornarem-se visíveis aos espíritos, o que é denominado de “formas-pensamento” por André Luiz em suas obras.
A auto-obsessão se faz presente quando nos depreciamos, nos cobramos demais, nos criticamos, vendo somente nossos defeitos, isso porque esquecemos de nossa origem divina. E quando nossos pensamentos apresentam características de inferioridade como inveja, rancor, vaidade, orgulho, excessivos apegos, entre tantos outros, nós acabamos criando a nossa matéria mental e a etérea que nos envolve com energias de baixa vibração.
Assim, se passarmos a perpetuar esse processo, acabamos fixando esses pensamentos ao nosso redor, e com o passar do tempo, por força do hábito, acabarão se tornando uma realidade para nós. Com isso deixamos de enxergar a verdade real, e passamos a enxergar apenas a verdade que queremos.
Então acreditamos que estamos certos, e os outros, errados. Nos fixamos em uma forma-pensamento, que por mecanismo de retroalimentação, alimentam ainda mais os pensamentos inferiores que nos colocaram nessa posição de auto-obsessão.
Em “A Gênese” Allan Kardec ensina que o perispírito fica “impregnado” do pensamento que transmite. É por isso que a aparência de cada um de nós revela o conteúdo das idéias que alimentam nossos desejos. A alegria aumenta o brilho dos olhos e a raiva interna envelhece precocemente. O desânimo nos arqueia os ombros e fazer o bem eterniza a juventude.
A auto-obsessão é uma das maiores enfermidades espirituais que existem, uma vez que esse estado mental é gerador de uma série de outros processos mentais e comportamentais, os quais podem literalmente destruir uma encarnação. Está vinculada aos processos de elaboração do mundo íntimo, podendo acarretar sérios distúrbios no corpo astral e, consequentemente, na roupagem física. Quanto mais ignoramos o processo das leis divinas, cultivando mágoa, culpa, crítica, baixa-estima, ilusão, dependência e outras tantas “dores da alma”, mais estaremos semeando farpas magnéticas no campo emotivo e intoxicando, por conta própria, a nossa atividade mental.
Para nos livrarmos de um processo de auto-obsessão, primeiramente é necessário muita prece, vigilância e conexão com Deus e com nossos mentores espirituais. Se faz necessário também que passemos a exercitar auto-observação e aprendermos a testemunhar nossos próprios pensamentos, emoções, atos e atitudes. É preciso desenvolvermos uma visão interior que não acusa nem julga, mas que observa, de maneira imparcial e objetiva, permitindo assim que passemos a conhecer a verdade tal com é.
É importante também admitir o que realmente somos e o que realmente sentimos, sem nos condenarmos ou punirmos. A autoaceitação ajuda a conscientização de nossa ignorância.
Devemos fugir de pessoas negativas, parar de escutar críticas maldosas que não acrescentarão nada em nossa vida, evitar entrar em desequilíbrio, evitar calúnias e pensamentos negativo. Não devemos absorver essas energias negativas, tampouco entrar em sintonia com pessoas que só desejam o mal ao próximo.
Procuremos fazer algo de bom a cada dia. O estudo, a prece, a meditação contribuem para uma reflexão pessoal. A caridade, a fraternidade e a comunhão com o próximo nos ensinam a ser menos egoístas e orgulhosos. Ajudar um morador de rua, visitar um asilo, um orfanato, arrecadar alimentos, levar o evangelho a outras comunidades, conversar com alguém que precise de atenção e etc, são atitudes que ajudam quem as recebe, e principalmente quem as realizam.
Enfim, se queremos paz, amor, tranquilidade na vida, devemos estar em sintonia e vibrar positivamente. Temos que fazer a nossa parte, agirmos com mais seriedade e discernimento espiritual, pois a vida é uma experiência que não poupará a ninguém dos desencantos, mas nem por isso devemos cultivar o remorso, conservar a culpa ou alimentar a desesperança.
REFERÊNCIAS:
CHAGAS, Juliana. Auto – Obsessão. 2017. Disponível em: https://radioboanova.com.br/auto-obsessao/ Acesso: 25/02/2020
FACURE, Nubor Orlando. Auto – Obsessão e ideias fixas. 2015. Disponível em: https://www.kardecriopreto.com.br/auto-obsessao-e-ideias-fixas/ Acesso: 24/02/2020.
KARDEC, Allan. A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. [Tradução de Guillon Ribeiro da 5ª ed. francesa]. – 53ª. ed. 1. imp. – Brasília: feb, 2013.
SEARA BENDITA. Instituição Espírita. ÁREA DE ENSINO – CURSO DE CAPACITAÇÃO FORMAÇÃO DE ATENDENTES FRATERNOS – 2019
SERAFIM, Alexandre. Auto-obsessão: fruto do hábito. 2018. Disponível em: https://guardioesdahumanidade.org/blog/auto-obsessao Acesso: 25/02/2020
SOUZA, Jeferson. SÉRIE OBSESSÃO IV – Sintomas de Auto Obsessão. 2016. Disponível em: http://espiritismonapratica.com.br/artigo/serie-obsessao-iv-sintomas-de-auto-obsessao Acesso: 24/02/2020.
VICENTE, Haila. Pare de se auto obsediar!. 2018. Disponível em: https://tvmundomaior.com.br/pare-de-se-auto-obsediar/ Acesso: 25.02.2020.