Visita a Jesus

Visita a Jesus1

 

“[…] Com exceção do Governador, a Ministra Veneranda é a única entidade, em Nosso Lar, que já viu Jesus nas Esferas Resplandecentes, mas nunca comentou esse fato de sua vida espiritual e esquiva-se à menor informação a tal respeito. […]”                     

 

Jesus, como sabemos e a Doutrina Espírita nos informa, habita as regiões mais elevadas do Globo terrestre, de onde governa esse maravilhoso Organismo de Esferas chamado Terra, que Ele mesmo formou por determinação do Pai, como vemos no início do Evangelho segundo João.

  • Algum habitante da Crosta Terrestre, ou seja, um ser humano, já visitou Jesus, em espírito, nessas esferas superiores? Pelo que temos ciência, nenhum ainda obteve esse merecimento. Mas alguns habitantes do Umbral, a região imediatamente superior à Crosta, já conseguiram esse feito extraordinário, em decorrência de seus méritos ou da misericórdia divina.

Narcisa, falando da Ministra Veneranda, fornece alguns parâmetros do merecimento que o espírito precisa amealhar para, um dia, ser levado a visitar esse plano divino:

“[…] – É a entidade com maior número de horas de serviço na colônia e a figura mais antiga do Governo e do Ministério, em geral. Permanece em tarefa ativa, nesta cidade, há mais de duzentos anos. (…) As Fraternidades da Luz, que regem os destinos cristãos da América, homenagearam Veneranda conferindo-lhe a medalha do Mérito de Serviço, a primeira entidade da colônia que conseguiu, até hoje, semelhante triunfo, apresentando um milhão de horas de trabalho útil, sem interromper, sem reclamar e sem esmorecer. (…) Soube que essa benfeitora sublime vem trabalhando, há mais de mil anos, pelo grupo de corações bem-amados que demoram na Terra, e espera com paciência. (…) Com exceção do Governador, a Ministra Veneranda é a única entidade, em Nosso Lar, que já viu Jesus nas Esferas Resplandecentes, mas nunca comentou esse fato de sua vida espiritual e esquiva-se à menor informação a tal respeito. […].” (Nosso lar, capítulo 32, Notícias de Veneranda.)

Notem a beleza da informação dada por Narcisa: “Com exceção do Governador, a Ministra Veneranda é a única entidade em Nosso Lar, que já viu Jesus nas Esferas Resplandecentes”, confirmando, assim, para nós, que Jesus tem de fato um lugar em que normalmente permanece neste planeta, cercado por seus assessores – recebendo visitas dos que conseguem adquirir esse merecimento altíssimo –, enquanto governa o planeta a partir dessa esfera, que é a mais elevada dentre as que compõem este globo.

Por falar em assessores do Cristo, essa ideia nos parece um pouco estranha, porque estamos acostumados a só falar em apóstolos do Cristo. Como registro em meu livro, As sete esferas da Terra, publicado pela FEB, Monsenhor Benson menciona dois assessores do “Grande Ser”, um caldeu e um egípcio, que desceram das esferas superiores à quinta esfera (esfera imediatamente superior ao Umbral) a fim de convidar os três amigos – Benson, Edwin e Rute – para uma visita às esferas resplandecentes do planeta. 

Monsenhor Benson desencarnou na Inglaterra, em 1914. Levado por seu guia espiritual, Edwin, a uma esfera superior do planeta (que nos sinaliza ser a quinta – Arte, Cultura e Ciência –, pela harmonia e beleza reinantes no ambiente), lá ambos conheceram Rute, e os três se tornaram grandes amigos. Ele descreve, com graça e leveza, as atividades que passaram a exercer naquele plano.  

Benson se reporta a incursões de estudos que fizeram a uma esfera inferior à sua, semelhante ao Umbral descrito por André Luiz em Nosso lar, e também, em outro momento, à visita de uma Entidade muito superior, um Grande Ser, vinda das regiões resplandecentes, que se materializou no santuário da quinta esfera e levou grandes ensinamentos a seus habitantes. Nessa ocasião, os Espíritos presentes podiam fazer petições mentais àquela Entidade, as quais seriam analisadas posteriormente para possível atendimento. Benson mentalizou a oportunidade de escrever um livro sobre a realidade dos mundos invisíveis, a fim de amenizar o desgosto que sentia no mundo espiritual por haver escrito uma obra, quando estava na Crosta, que procurava desmerecer os postulados da Terceira Revelação.

Diz ele, ao falar das esferas superiores, que há somente duas maneiras de se penetrar nessas esferas: uma, é o ingresso definitivo através de nosso progressivo desenvolvimento espiritual; e a outra, temporária, é por convite especial de algum dos moradores dessas regiões. Fora disso, qualquer visita se torna impossível por causa das barreiras magnéticas que protegem cada esfera e também devido ao nível (ou peso espiritual) específico em que se encontra cada alma, permitindo-lhe habitar somente a região condizente com essa ponderabilidade ou nível.

 

Convite celestial

 

Certo dia, narra o autor, ele e seus dois amigos estavam em sua casa na quinta esfera, quando receberam a visita inesperada de duas personagens das regiões superiores. Eram um egípcio e um caldeu. Vinham trazer o convite da Grande Alma – a quem Benson fizera anteriormente a petição mental – para uma visita a seu Lar nas altas esferas.

Após a surpresa inicial, todos ficaram muito felizes com o convite e se prepararam para a viagem, iniciando a subida para os limites do novo reino. Durante o trajeto, Benson perguntou ao egípcio se ele podia dizer algo a respeito do Grande Ser que iam visitar, e recebeu a explicação, que ele (Benson) traduziu mais tarde em suas próprias palavras:

“O ilustre personagem na direção de cuja casa nos encaminhávamos era conhecido de vista por todas as almas. Seu desejo era uma ordem, sua palavra, lei. O azul, o branco e o dourado de sua vestimenta revelavam o estupendo grau de seus conhecimentos, sabedoria e espiritualidade. Milhares o chamavam de Bem-amado Mestre, sendo um destes o caldeu, que era seu braço direito. Quanto à sua função especial, ele era o governante de todos os reinos do mundo espiritual e exercia coletivamente essa função, assim como a função particular de governos individuais. Todos os outros governantes, portanto, eram subordinados a ele, e ele, por assim dizer, unia os reinos e soldava-os em um só, fazendo deles um vasto universo, criado e mantido pelo Grande Pai de todas as coisas.

“Nenhum rei mortal jamais presidiu sobre tão vasto estado, como este personagem de quem falo. E seu reino é governado pela lei universal da verdadeira afeição. O medo não existe, nem poderia existir na menor fração, porque não há a mais leve causa para ele, nem jamais haverá. Ele é o grande Elo invisível entre o Pai, o Criador do Universo, e seus filhos. Mas, não obstante a suprema elevação da sua posição espiritual, ele baixa do seu lar celestial para nos visitar, como já disse. E é permissível a outros, de grau muito inferior, ir visitá-lo em sua casa. Nada há de não substancial, vago, irreal, acerca dele. Já o vimos em grandes dias festivos.”

Percebe-se o pudor e a reverência do autor espiritual pela Grande Alma ao omitir o seu nome na descrição que dele faz, assim como nós, o leitor e eu, também não o declinaremos, deixando que nossa alma seja conduzida suavemente ao sabor de sua narrativa.

Quando o grupo atingiu uma região mais rarefeita, os três sentiram certo desconforto espiritual e precisaram receber energias extras do egípcio, dando-lhes forças para continuar a viagem e ajustando sua visão à intensidade da luz dos reinos superiores em que estavam adentrando. Foram também avisados de que sua permanência naquela esfera não podia ser prolongada além de sua capacidade de resistência à atmosfera rarefeita e à intensidade da luz ambiente, não obstante o auxílio energético dos emissários do Grande Ser.

Em seguida, tiveram a sensação de que estavam flutuando novamente e, logo depois, quando cessou o movimento e uma forte luz brilhou perante seus olhos, eles sentiram chão sólido sob os pés e tiveram sua primeira visão do novo reino. “Entráramos num domínio de inimitável beleza” – escreveu Benson. “Nenhuma imaginação pode vislumbrar tal deslumbramento.” Sua visão se espalhava por milhas e milhas, onde se divisavam mansões belíssimas construídas à base de pedras preciosas, como safira, diamantes, topázios, esmeraldas e ametistas.

Uma luz brilhou repentinamente de um magnífico palácio, vindo direto para o caldeu, e este respondeu com outro raio de luz. A presença do grupo naquele reino já era conhecida e eles estavam sendo convidados a caminhar até o palácio, onde seu anfitrião os estava aguardando.

A partir daqui até o próximo entretítulo, o texto é condensado do livro. Quem fala é Benson.

 

 Na presença do Grande Ser

 

 

Quando entramos, o anfitrião estava sentado a uma janela. Assim que ele nos viu, levantou-se e veio nos cumprimentar. Primeiro agradeceu ao egípcio e ao caldeu por ter-nos trazido. Depois tomou cada um de nós pela mão, para nos dar as boas-vindas. Havia vários assentos vagos perto do que ele ocupava e sugeriu que todos nos sentássemos para gozar de sua vista predileta.

Ao aproximarmo-nos da janela, avistamos um canteiro das mais magníficas rosas brancas, tão puras quanto um campo de neve, e que exalavam um aroma delicioso. Rosas brancas, disse o anfitrião, eram suas flores favoritas.

Sentamo-nos e tivemos a oportunidade de observá-lo de perto enquanto falava; visto assim foi possível notar diferenças do que ele nos parecera a distância. Diferenças que eram quase uma questão de intensidade de luz. Seu cabelo, por exemplo, parecera-nos dourado quando nos visitara na quinta esfera, mas aqui parecia de clara luz dourada. Parecia jovem, de juventude eterna, mas podíamos sentir a incontável eternidade de tempo que jazia por trás dela.

Quando falava, sua voz era pura música, seu riso como água cascateante, e nunca imaginamos possível poder emitir tanta bondade, afeição e consideração, e nunca julgamos que um indivíduo pudesse possuir tal imensidão de sabedoria como ele. Sentíamos que, abaixo do Pai do Céu, ele é que tinha a chave de todo o conhecimento. Mas, por estranho que pareça, apesar de termos sido transportados a distâncias incomensuráveis à presença deste ser transcendente e maravilhoso, sentíamo-nos contudo perfeitamente à vontade em sua presença. Ria conosco, brincava, falava de suas rosas, dirigindo-se a cada um de nós individualmente, exibindo exato conhecimento de todos os nossos assuntos, coletiva ou pessoalmente. Finalmente abordou a razão de seu convite para que o visitássemos.

Com meus amigos eu visitara os reinos sombrios e contara o que vira lá. Ele achava que seria um agradável contraste se visitássemos os planos superiores e suas belezas e mostrássemos que os habitantes de tais lugares não são sombras irreais, mas, pelo contrário, como nós, capazes de sentir e mostrar as emoções de suas naturezas esplêndidas, capazes de compreensão humana, susceptíveis de riso fácil e alegria pura, como nós mesmos.

Convidara-nos para essa visita para nos dizer que esses reinos estão ao alcance de toda alma nascida sobre a Terra, e cujo direito ninguém nos pode roubar; e que, apesar de levarem-se anos infindos para alcançar esse fim, havia meios ilimitados para nos auxiliar. Esse, disse ele, é o grande e simples fato da vida espiritual. Não há mistérios; é tudo simples, direto e desimpedido de crenças complicadas, religiosas ou não. Não é preciso ser adepto de qualquer religião, que em si não tem autoridade nenhuma para assegurar às almas o poder de garantir a salvação. Nenhum grupo religioso, que alguma vez tenha existido, pode fazê-lo.

E assim, esse reino de beleza incomparável está livre e acessível a todos que trabalham na mais ínfima condição. Poderá levar eternidades para se realizar, mas esse será o grandioso epílogo da vida de milhões.

Nosso bom amigo, o caldeu, mencionou então que nossa estada chegava a seu limite. Quando nos erguemos, não pude resistir à tentação de olhar as rosas pela janela, uma vez mais.

Nosso anfitrião disse que nos acompanharia até a colina de onde tivéramos nossa primeira visão de seu reino. Seguimos um caminho diferente dessa vez, e qual não foi o nosso prazer quando ele nos conduziu diretamente ao canteiro das rosas brancas. Curvou-se e colheu três das mais perfeitas flores que jamais vira, e presenteou-nos a cada um com uma rosa. Nossa alegria era maior ainda por saber que, com a afeição que sentíamos por elas, nunca murchariam e morreriam.

Finalmente alcançamos o ponto de partida. Palavras não exprimiriam o nosso sentimento, mas os nossos pensamentos passaram a ele, que nos dera essa suprema felicidade, essa antecipação do nosso destino – o destino de todos os entes da Terra. Com uma bênção para todos, desejou-nos, sorrindo, uma boa viagem, e nós partimos.

Tentei descrever algo do que vi, mas as palavras são poucas porque não posso traduzir o espiritual em termos terrenos. Para dar-vos uma descrição exata eu levaria uma existência enchendo volumes, e portanto escolhi o que achei que seria de mais interesse e benéfico. Meu sincero desejo é que tenha despertado vosso interesse, vos tenha afastado por uns momentos da vida terrena, e dado uma ideia do mundo que jaz além daquele em que agora viveis.

 

Amor não correspondido

 

 

O trabalho incessante e incansável do Cristo em benefício da libertação espiritual dos bilhões de seres que habitam todas essas esferas (principalmente da quarta para baixo), consoante a Sua vibrante afirmativa: Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará, é um exemplo extraordinário para todos os que desejam ardentemente galgar mais altos cimos de evolução.

Sabemos, pela narrativa dos Evangelhos, que Jesus fez uma passagem de 33 anos e meio pela Crosta terrestre, há dois milênios, trazendo à consciência humana uma diminuta nesga de Seu resplandecente Reino Celestial. Mas foi mal recebido, escarnecido e crucificado, e ainda Lhe pediram que não voltasse mais: “Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” (João, 1:10/11.)       

Invisível aos olhos humanos, é de crer-se que o Cristo nos tenha feito muitas outras visitas em todos esses milênios, como aquela belíssima, descrita pelo Espírito Humberto de Campos, que Jesus fez às florescentes plagas americanas, por volta do último quartel do século XIV, acompanhado de Seu luminoso séquito celestial. (Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, FEB, cap. I.)

Se tão mal recebido por aqui, o Divino Mestre persiste em retornar e oferecer, a Seus tresmalhados filhos deste plano inferior, o Seu grande Amor não correspondido, com que frequência não terá descido às esferas mais elevadas deste nosso mundo, onde seus habitantes O recebem com a mais pura alegria, entre os sorrisos e as flores de seus corações divinizados?

Se à Crosta Ele veio exemplificar o Amor, que é o sentimento de que mais carece a sociedade terrena, a essas outras esferas de vida superior (principalmente dos altiplanos da quarta esfera para cima) irá, certamente, levar diferentes manifestações de Seu alcandorado Espírito, como as Grandes Descobertas, as Ciências Divinas e as Artes Superiores.

 Texto condensado de meu livro As sete esferas da Terra, FEB, capítulo 7, e publicado em Reformador de dezembro/2018.

                                                                                                                       

Autor: Mário Frigéri

 

 

Translate »