Quebrando Paradigmas

Quebrando Paradigmas

 

“Os grilhões que me prendem são insuperáveis”

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Que é paradigma? No sentido formal, é uma reunião de princípios, originários de uma teoria ou estudo científico que forma padrões ou modelos a serem seguidos, servindo de exemplo para pesquisas futuras. No sentido popular, é um padrão a ser seguido, um modelo de ação a ser adotado em determinadas situações. No geral, um paradigma serve de orientação para uma pessoa ou um grupo, estabelecendo normas e limites para as ações do indivíduo. Estão presentes em todos os meios, inclusive religiosos, filosóficos, políticos e científicos. Podem corporificar-se num preconceito. Exemplo: até a década de 1950, beijo dado em público por namorados era ato de desrespeito. Moça que fosse beijada dessa forma não era digna de casamento. Com o  advento do feminismo na década seguinte, esse tipo de beijo deixou de ser tabu, tornando-se aceito normalmente pela sociedade. O paradigma foi quebrado.

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I – Terra sem quina e relógio sem corda

Antes de Nicolau Copérmico, acreditava-se que a Terra era chata. Depois que se descobriu que o globo terrestre é redondo, uma viagem ao redor do mundo tornou-se possível.Resultado de imagem para relogio quartz

A mudança desse paradigma criou diferentes oportunidades. Novos mundos foram descobertos. A Humanidade toda mudou. Se você continuar fazendo o que sempre fez, vai continuar conseguindo somente o que sempre conseguiu. Se você quer coisas diferentes, tem que desbitolar a mente e fazer algo diferente.

No campo dos negócios, o conhecimento dos paradigmas é fundamental. Em 1979, os suíços detinham 90% do faturamento do mercado de relógios do mundo. Um dia, um técnico de uma das maiores empresas fabricantes de relógio na Suíça apresentou ao seu chefe um novo modelo que ele tinha inventado: o relógio eletrônico a quartz.

O chefe olhou para o protótipo e disse: “Isto não é relógio: não tem corda, nem molas, nem rubis”. Os japoneses e norte-americanos tomaram conta do mercado, lançando o relógio eletrônico. Os 90% de faturamento que os suíços detinham ficaram reduzidos a 15%. Em apenas três anos, 50 mil funcionários perderam o emprego na indústria relojoeira suíça. E agora veja o paradoxo: quem descobriu o relógio a quartz era suíço.

II – Batendo e apanhando sem saber por quê

Para derrubar paradigmas é preciso constante avaliação do ambiente em que se vive, de modo a ampliar o campo de visão e detectar atitudes, regras e valores que não têm mais por que existir. Isso exige grande sensibilidade.

Resultado de imagem para experimento com macacoUm paradigma, portanto, é uma forma de condicionamento e padronização de raciocínios e atitudes que suprime a motivação e a criatividade.

Apesar de muito se falar nas escolas de administração sobre paradigmas e quebra de paradigmas, nada reproduz tão fielmente o nascimento de um paradigma quanto o seguinte experimento: “Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e,sobre ela, um apetitoso cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas para evitar os jatos d’água. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

“Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, sendo rapidamente retirado dela pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

“Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: ‘Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…’.

“O perigo maior dos paradigmas reside no fato de que eles cerceiam os movimentos, limitam o desempenho e sacrificam o potencial máximo das pessoas. Funcionam como jaulas psicológicas que aprisionam mentes, afastam-nas das possibilidades de soluções para muitos problemas e as deixam cegas. Provocam a percepção de que as estratégias possíveis se afunilam, como se as alternativas fossem cada vez mais escassas, e fazem com que pessoas comportem-se como animais famintos, paralisados diante de um vasto banquete.”

III – Desistir não é opção

Flávia Pacheco, em sua pesquisa com personalidades brasileiras reconhecidamente bem-sucedidas (empresários, artistas, atletas etc.), apontou um aspecto comum a todas elas: desistir nunca foi uma opção.

Ela nos dá um exemplo valioso: “Tenho um amigo, um tenista curitibano, que costumava viajar para participar de campeonatos por todo o país. Ele tinha um adversário específico que já conhecia de outras partidas, e ficava feliz quando tinha de jogar contra ele, porque das quinze partidas que jogaram, em diversos campeonatos, o meu amigo ganhou catorze.

Depois de alguns anos, ele desistiu da carreira de tenista, mas seu adversário, que costumava perder para ele, foi em frente. O nome de seu adversário era Gustavo Kuerten, que alcançou a posição de melhor jogador de tênis do mundo, depois de vencer por três vezes o torneio de Roland Garros”.

 

IV – Pensando ao avesso

Assim, buscar rotas alternativas, inéditas, é um exercício próprio daqueles que compõem o Grupo dos 9% (Grupo dos que não desistem, em oposição ao Grupo dos 91%, composto por desacorçoados).

É o que fez o estatístico Abraham Wald a respeito de onde colocar blindagem extra em aviões de guerra, durante a Segunda Guerra Mundial, relatada por Robert Sutton em seu trabalho:“Wald colocou um sinal em cada furo de bala nos aviões que retornavam da batalha. Ele descobriu que duas grandes seções da fuselagem – uma entre as asas e a outra na cauda – tinham bem menos furos de balas. Em que lugar, pois, devia colocar a blindagem: onde havia menos furos ou onde havia mais?

Decidiu colocar blindagem onde havia menos furos. Por quê? Porque parecia claro que os aviões eram atingidos aleatoriamente. Os aviões que ele analisou não haviam sido derrubados. Então, os que foram derrubados tinham mais buracos onde estes tinham menos. Os lugares com menos furos é que eram os fatais, por isso, precisavam de proteção extra.”

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V – A prisão dos paradigmas

Os membros do Grupo dos 9% movem-se a partir de uma autodeterminação inabalável, ainda que não encontrem credibilidade pelo caminho.

Há momentos, no entanto, que nem mesmo alguns deles conseguem vislumbrar a grandiosidade de suas conquistas, dando mancadas homéricas, como ilustramos exemplos a seguir:

– O cinema será encarado por algum tempo como uma curiosidade científica, mas não tem futuro comercial. (Auguste Lumiére, 1895, inventor, junto com seu irmão, do cinematógrafo e considerados ambos os pais do cinema)

– Quem imagina que a transformação do átomo possa ser uma fonte de energia está falando bobagem. (Lord Rutherford, o descobridor da fissão nuclear, em 1930)

– A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso. (The New York Times, 18 de abril de 1939, na apresentação do protótipo de um aparelho de TV)

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– Acredito que há mercado mundial para cerca de cinco computadores. (Thomas J. Watson, presidente da IBM, 1943)

– Não há nenhuma razão para que as pessoas tenham um computador em casa. (Ken Olsen, presidente da Digital Equipament Corporation, 1977)

 

VI – Dois pensamentos antiparadigmáticos

– Como diziam os polinésios: Cuidado! você pode estar em pé numa baleia, mas pescando carpas miúdas.

– Somente duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. E eu não estou seguro quanto ao primeiro. Albert Einstein.

 

Autor: Mario Frigeri

 

 

Referências:

Item I: do livro O sucesso não ocorre por acaso, Lair Ribeiro, Editora Objetiva. Itens II a VI: do livro Pense grande, Alex Bonifácio, Editora Belas-Letras. Textos condensados.)

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