Então é Natal?

E eles te perguntam o que você fez?
E nós começamos a nos perguntar qual o verdadeiro significado do natal, as compras de fim de ano? As festas intermináveis? As confraternizações vazias? O nascimento de Jesus? As reflexões que deveríamos fazer diante das dificuldades do ano que passou? Ou a renovação da esperança de um futuro melhor?

A seguir, Irmão X nos apresenta a verdadeira simbologia do Natal

Natal Simbólico

Harmonias cariciosas atravessava, a paisagem, quando o lúcido mensageiro continuou:
– Cada Espírito é um mundo onde o Cristo deve nascer… Fora loucura esperar a reforma do mundo, sem o homem reformado.
Jamais conheceremos povos cristãos, sem edificarmos a alma cristã… Eis porque o Natal do Senhor se reveste de profunda importância para cada um de nós em particular.
Temos conosco oceanos de bênçãos divinas; maravilhosos continentes de possibilidades, florestas de sentimentos por educar, desertos de ignorância por corrigir, inumeráveis tribos de pensamentos que nos povoam a infinita extensão do mundo interior.
De quando em quando, tempestades renovadoras varrem-nos o íntimo, furações implacáveis atingem nossos ídolos mentirosos.
Quantas vezes, o interesse egoístico foi o nosso perverso inspirador? Examinando a movimentação de nossas idéias próprias, verificamos que todo princípio nobre serviu de precursor ao conhecimento inicial do Cristo. Verificou-se a vinda de Jesus numa época de recenseamento.
Alcançamos a transformação essencial justamente em fase de contas espirituais com a nossa própria consciência, seja pela dor ou pela madureza de raciocínio.
Não havia lugar para o Senhor. Nunca possuímos espaço mental para a inspiração divina, absorvidos de ansiedades do coração ou limitados pela ignorância.
A única estalagem ao Hóspede Sublime foi a Manjedoura. Não oferecemos ao pensamento evangélico senão algumas palhas misérrimas de nossa boa vontade, no lugar mais escuro de nossa mente.
Surge o Infante Celestial, dentro da noite. Quase sempre, não sentimos a Bondade do Senhor senão no ápice das sombras de nossas inquietações e falências. A estrela prodigiosa rompe as trevas no grande silêncio.
Quando o gérmen do Cristo desponta em nossas almas, a estrela da divina esperança desafia nossas trevas interiores, obscurecendo o passado, clareando o presente e indicando o porvir.
Animais em bando são as primeiras visitas ao Enviado Celeste.
Na soledade de nossa transformação moral, em face da alvorada nova, os sentimentos animalizados do nosso ser são os primeiros a desfrutar o ideal do Mestre.
Chegam pastores que se envolvem na intensa luz dos anjos que velam o berço divino.

Nossos pensamentos mais simples e mais puros aproximam-se da ideia nova, contagiando-se da claridade sublime, oriunda dos gênios superiores que nos presidem aos destinos e que se acercam de nós, afugentando a incompreensão e o temor.
Cantam milícias celestiais. No instante de nossa renovação em Cristo, velhos companheiros nossos, já redimidos, exultam de contentamento na esfera superior, dando glória de contentamento na esfera superior, dando glória a Deus e bendizendo os espíritos de boa vontade.
Divulga os pastores a notícia maravilhosa. Nossos pensamentos, felicitados pelo impulso criador de Jesus, comunicam-se entre si, organizando-se para a vida nova.
Surge a visita inesperada dos magos. Sentindo-nos a modificação, o mundo observa-nos de modo especial.
Os servos fiéis, como Simeão, expressam grande júbilo, mas revelam apreensões justas, declarando que o Menino surgiria para a queda e elevação de muitos em Israel.
Acalentamos o pensamento renovador, no recesso da alma, para a destruição de nossos ídolos de barro e desenvolvimento dos germens de espiritualidade superior. Ferido na vaidade e na ambição.
Herodes determina a morte do Pequenino Emissário.

A ignorância que nos governa, desde muitos milênios, trabalha contra a ideia redentora, movimentando todas as possibilidades ao seu alcance. Conserva-se Jesus na casa simples de Nazaré.
Nunca poderemos fornecer testemunho à Humanidade, antes de faze-lo junto aos nossos, elevando o espírito do grupo a que Deus nos conduziu. Trabalha o Pequeno Embaixador numa carpintaria.
Em toda realização superior, não poderemos desdenhar o esforço próprio. Mais tarde, o Celeste Menino surpreende os velhos doutores.
O pensamento cristão entra em choque, desde cedo, com todas as nossas antigas convenções relativas à riqueza e à pobreza, ao prazer e ao sofrimento, à obediência e à mordomia, à filosofia e à instrução, à fé e à ciência.
Trava-se, então, dentro de nosso mundo individual, a grande batalha.
A essa altura, o mensageiro fez longa pausa. Flores de luz choviam de mais alto, como alegrias do Natal, banhando-nos a fonte.
Os demais companheiros e eu aguardávamos, ansiosos, a continuação da mensagem sublime; entretanto, o missionário generoso sorriu paternalmente e rematou:
– Aqui termino minhas humildes lembranças do Natal simbólico.
Segundo observais, o Evangelho de Nosso Senhor não é livro para os museus, mas roteiro palpitante da vida.

FONTE: LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL

Psicografia: Francisco Cândido Xavier.

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